RITUAL DESTINADO A MÃE TERRA

ONILÊ

Onilè, contração de oni (senhora) e ilè (terra, espaço), é a Senhora da Terra, a Senhora do Espaço: como a palavra ilê é compreendida na acepção física do espaço, ðnilÄ trabalha com os domínios de Obaluaiê. Mas o conceito de ilê não se reduz à acepção física: afinal, a terra tem funções, relacionadas às funções de outros orixás, e o fato de acolher a humanidade indica a importância da Mãe Terra. Tudo o que ocorre, ocorre sobre a terra: por isso, Onilè é a guardiã da nossa moradia e o grande símbolo da sobrevivência, estreitamente associada a Ewa. A existência humana tem muitos aspectos – físicos, emocionais, mentais, espirituais – e Onilè oferece a base desta existência tanto no aiyê quanto no orun. A terra é o símbolo sagrado por excelência, e Onilè é a guardiã deste espaço sagrado.

Ritual:

Com os pés no chão de terra batida, ou com as duas mãos no chão e com o devido respeito e amor, respire profundamente e imagina que do chão saem raízes, e estas raízes entram pelo seu pé direito e se espalhe em todo o seu ser saindo pelo pé esquerdo e retornando ao chão e entoe o mantra a seguir:

MÃE TERRA: SE EU E MINHA FAMÍLIA, MEUS PARENTES E ANCESTRAIS TE MALTRAMOS COM PENSAMENTOS, PALAVRAS, ATOS E AÇÕES DESDE O INÍCIO DA MINHA CRIAÇÃO ATÉ OS DIAS DE HOJE NÓS PEDIMOS O SEU PERDÃO!

  1. MÃE TERRA: SINTO MUITO, ME PERDOE, EU TE AMO, EU SOU GRATO!
  2. MÃE TERRA: SINTO MUITO, ME PERDOE, EU TE AMO, EU SOU GRATO!
  3. MÃE TERRA: SINTO MUITO, ME PERDOE, EU TE AMO, EU SOU GRATO!
  4. MÃE TERRA: SINTO MUITO, ME PERDOE, EU TE AMO, EU SOU GRATO!
  5. MÃE TERRA: SINTO MUITO, ME PERDOE, EU TE AMO, EU SOU GRATO!
  6. MÃE TERRA: SINTO MUITO, ME PERDOE, EU TE AMO, EU SOU GRATO!
  7. MÃE TERRA: SINTO MUITO, ME PERDOE, EU TE AMO, EU SOU GRATO!

Saudações das Religiões Afro-brasileiras

Saravá, Motumbá, Kolofé, Mukuiu, Mojubá – O que significam?

São saudações.

Mukuiu é um pedido de bênçãos (para a nação Bantu e para as Umbandas derivadas) a resposta é Mukuiu N´Zamby (que Deus te abençoe).

Para os Jejê e também Ketu (e Umbandas derivadas), o pedido de benção será Kolofé e a resposta Kolofé Olorum Entre os grupos Nagôs (yorubás) a temos a saudação Motumbá, e a resposta é Motumba Axé, mas essa normalmente um significado mais específico.

Baba mi motumbá (pai me abençoe)

O que é Axé:

Na língua iorubá, axé significa poder, energia, força presentes em cada ser, em cada coisa. Nas religiões afro-brasileiras, o termo representa a energia sagrada dos orixás. O axé pode ser representado por um objeto ou um ser que será carregado com a energia dos espíritos homenageados em um ritual religioso.
Dentro e fora do contexto religioso, axé é uma saudação utilizada para desejar votos de felicidade e boas energias.

Saravá ficou uma saudação genérica entre a maioria das casa de Umbanda, independente da sua derivação.
Algumas correntes Umbandistas também usam o Namastê, que significa: “o Deus que habita em mim, saúda o Deus que habita em você”. Palavra pequena, mas de um grande significado.

Aranauam é uma saudação utilizada por umbandistas que significa Paz e Luz

Outras saudações:

Êpa Babá – saudação ao Orixá Oxalá significando: olá, com admiração e espanto, ao ancestral dos ancestrais.

Okê! Okê Arô! – saudação ao Orixá Oxossi significa Autoridade, rei, que fala mais alto, ou seja salve o Rei que é aquele que fala mais alto.

Ogum iê! – saudação ao Orixá Ogum, significando salve Ogum.

Epa Hei – saudação a Orixá Iansã e significa falar com espanto Olá. Esse espanto de grandeza de admiração ao ver o Orixá e dizer a ele Olá Iansã, Olá Oiá.

Ora Aie Ie o – Aieieo – Saudação a Orixá Oxum e significa salve a benevolente mãezinha.

Odoia ou Odociaba – saudação a Orixá Yemanjá e significam Mãe das águas.

Atotô – saudação para o Orixá Omolu, significando “Silêncio! Ele está aqui!”.

Saluba Nanã – saudação a Orixá Nanã Buruquê, cujo significado é: “nos refugiamos em Nanã” ou salve, a senhora do posso, da lama”..

É para as Almas ou Adorei as Almas – saudação que fazemos aos Pretos-Velhos.

Kaô kabecilê! (ou Kaô kabecilê obá) – Saudação ao Orixá Xangô que significa – venham ver (admirar, saudar) o Rei (Alteza) da Casa.

Laroyê, Exu! Exu é mojubá! – Mensageiro, Exu! Exu a vós meus respeitos!

Oke Aro ou Oke Ode ou Oke Oxossi – Salve, aquele que grita, brada. Salve o caçador! Salve Oxossi! Também usado como saudação aos Caboclo (Oke, Caboclo).

Xetruá, Xetu, Marumbaxetu, Xetua Boiadeiro ou ô Boi! – Usada para Boiadeiros. Salve, aquele que tem braço forte, pulso forte.

Mojubá – significa respeito, os meus respeitos. Uma saudação em que a pessoa externa seus respeitos a outra pessoa, orixá ou entidade.

Existem outras saudação e expressões inerentes a rituais e outros, empregados em diversos seguimentos de Umbanda que existem pelo mundo afora.

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá!

Minha Primeira Vez

Meu nome é Jorge, tenho 52 anos e desde criança presencio fenômenos mediúnicos. Fenômenos esses que tive que ocultar da minha família, pois para minha mãe criança que falava coisas estranhas ou fazia esquisitices tinha problemas mentais.
Assim cresci uma criança sombria, envolta em meus segredos. Até hoje tenho flashes de lembranças que me remetem à infância, como se no meu passado estivesse “respostas” para o meu futuro. E sempre em momentos oportunos essas lembranças vêem À tona.

Hoje dirijo um terreiro de Umbanda, e a cada problema com a corrente ou com algo relacionado ao centro, tenho que voltar ao passado para tentar entender, refletir e solucionar. Em junho temos um recesso de duas semanas para descanso, e sempre antes de retornar surge um problema. Engraçado que notei que é um problema recorrente, pois muda-se os personagens, mais a situação é sempre a mesma. Exigindo de mim um pulso mais firme como dirigente da casa. Foi assim que esse ano tive um dejavu do tempo que ao chegar a minha adolescência e não suportando mais, resolvi desabafar com um amigo, e olha o destino conspirando, meu amigo era, sem que eu soubesse umbandista. E adivinha onde ele me levou…

Era sexta feira de julho, sei por que era uma noite fria e estranhamente escura, logo presumo que não havia luar. Chegamos no centro que ficava num bairro bem afastado. Meu amigo me mostrou onde eu deveria sentar (esquerda homens e na direita mulheres) e entrou para dentro de um cercado onde havia várias pessoas conversando e vestidas de branco. Meu amigo havia levado um tipo de mochila mais feita de algodão e de cor mais para bege que para branco.

Quando menos espero, olhá lá o danado vestido de branco e se colocando atrás de um atabaque. Por essa eu realmente não esperava! Tantos anos de amizade e ele havia guardado aquele segredo de mim. Por que será?

Já era oito horas e os trabalhos iam começar. O que esqueci de falar aqui, é que ao entrar no centro e passar um olhar crítico em tudo que via, tive a estranha sensação que já havia estado ali. O que era humanamente impossível.

Voltando aos trabalhos da casa. Foram distribuídas fichas e a minha estava escrito Caboclo Pena Branca. Quando todas as senhas foram finalmente distribuídas, meu amigo me chamou discretamente num canto e me perguntou qual senha eu havia pegado. Repeti o nome que estava escrito e ele deu um sorriso satisfeito. Confesso que aquele sorriso me deixou mais desconfiado que confiante.

Eu sentado observava o entra e sai de pessoas, e o número de cada ficha. Havia fumaça no ar, uma música era tocada. Más pela força dos atabaques eu não entendia bem o que falavam, talvez a adrenalina me deixasse um pouco surdo. Meu coração deu um pulo e ouvi meu número. Me levantei agitado e fui em direção a entrada. Meu amigo se aproximou e falou no ouvido que eu era minha primeira vez. Ela então passou essa mensagem para um rapaz que estava ao lado de…Um índio! Era isso mesmo! Um índio com um longo penacho branco. Ao me ver abriu um sorriso, me saldou como velho conhecido, e já foi logo reclamando: Como foi complicado te trazer aqui hein meu filho. Você é muito teimoso! Dei uma risada tímida e perplexa que fez o velho índio soltar uma gargalhada que até mesmo seu cambono (nome dos auxiliares dos espíritos) se deixou levar pela festa.

O cambono tentava explicar para o índio que era minha primeira vez, o que ele negava. Filho, esse moço aqui já veio aqui na casa comigo várias vezes, ele tem mediunidade de berço e está aprendendo para um dia abrir a casa dele! O cambono me olhou assustado e eu repeti: É a primeira vez que venho aqui. O velho índio falou: Vestido de carne é, mais sem essa vestimenta aí não né meu filho, e riu. Desta vez eu também ri, por que intimamente parecia ser verdade. Lembrei de imediato a impressão que tive ao entrar na casa. Meu cérebro tentava achar explicação para tudo aquilo, e parecia brigar com minha mente.

Terminada a consulta, onde pedi somente proteção. Me despedi do velho (novo) amigo e virei as costas para ir embora. Ainda sentindo meu cérebro brigar com minha mente, como se fossem marido e mulher, parecia até que eu ouvia: Como você vem aqui sem eu saber?! Berrou meu cérebro. Era necessário! E o que você veio buscar neste lugar? Conhecimento! Finalizou minha minha…Antes que eu alcançasse a saída, uma enorme mão foi colocada no meu ombro e me puxou para trás bruscamente. Olhei para ver quem era, más já não estava ali. Não a mão, mas eu…

Que loucura era essa? Que feitiçaria tão poderosa era aquela? Onde eu estava? Tudo era só escuridão, meus olhos nada viam, aos meus ouvidos chegavam gritos, chorro, lamentações, gemidos de dor. Parei de tatear a escuridão. E pensei: Preciso achar uma forma de sair daqui. Respirei fundo. Minha mente começou a separar os sons, na procura de algo. Eu sinceramente não sabia o que era, mas não tinha outra opção a não ser confiar…

Fui isolando cada gemido, cada chorro, cada grito e de repente, uma voz. Como era parecida com a minha. Devagar fui caminhando em sua direção. Estava próximo. Vai você consegue, mais alguns passos e de repente estava eu de novo no Terreiro de Umbanda de Pai Joaquim de Angola.

Eu estava deitado no chão e em minha volta muitas pessoas. Palavras eram ditas: Abre o olhos, qual o nome dele? Não sei! Célio, Célio, qual o nome do seu amigo? Jorge seu Anjo da Guarda te chama! Não concentra, abre os olhos. Meu cérebro confuso tentava entender tudo aquilo e qual o significado da palavra “concentrar”. Me levantei com a ajuda das pessoas. Eu tremia todo e estava tremendamente suado, como se tivesse feito uma longa caminhada.

Seu Veludo falou para você ficar para o final do trabalho. Vão riscar pólvora para você. Ele falou também que é para você falar com o mentor da casa para vc entrar para a corrente. Eu na minha complexidade só falava tá bem, tá bem! Depois eu perguntaria para o meu amigo, eu só queria e precisava naquele momento sentar e refletir o que havia acontecido.

Assim foi minha primeira visita num terreiro de Umbanda.